FODA-SE até que enfim um artigo a falar sobre a resolução do problema e não sobre o que vende mais jornais. Já agora... e o sr. Ministro da Justiça ?!?! onde anda esse "boneco de feira" sem focinho para mostrar a quem dá o que tem e o que não tem em prol dos ideais de Abril?
21 Setembro 2008 - 09h00 " o correio da manhã"
Uma razia
O ministro Rui Pereira fez um rasgado elogio à actuação da Polícia Judiciária a propósito da reacção à onda de violência que sacudiu o País em Agosto e princípios de Setembro. Poderá não ter uma boa imagem telegénica, como diz Marcelo Rebelo de Sousa, mas é um ministro justo. Sabe reconhecer o mérito dos outros.
Disse aquilo que o colega da Justiça deveria ter dito e julgo saber por que não disse.
Expliquemo-nos melhor. Rui Pereira tem razão.
Os jornais e televisões são pródigos em dar notícias sobre assaltos e outros actos de violência. Já não se entusiasmam tanto quando o trabalho da Polícia é notícia. Quando a vaga de crimes aumentou, o director nacional da PJ fez um apelo aos seus investigadores, aos camaradas de sempre, para que carregassem no acelerador. Não existe nada melhor para levar um polícia até ao sacrifício do que saber falar-lhes sem truques nas mangas. E Almeida Rodrigues, polícia experimentado, sabe. O resultado é uma verdadeira razia na caça aos ladrões.
Quase meia centena de quadros de investigação das áreas de combate ao crime violento interrompeu as férias, abandonou as famílias e atirou-se ao trabalho.
Os números são impressionantes. Durante o mês de Agosto a PJ prendeu 127 autores de crimes violentos, desde assaltos à mão armada a homicídios. Neste número estão incluídos dois violadores e três pedófilos.
De 1 a 19 de Setembro a PJ prendeu mais 91 criminosos violentos, incluindo um violador e dois pedófilos. Neste fim-de-semana, na cidade da Guarda, apreendeu um verdadeiro arsenal de guerra.
Não há memória de uma acção de tão largas repercussões no combate ao crime violento. Das duas centenas de grandes assaltos falta resolver três ou quatro. Tudo isto à borla.Estes homens e mulheres entregaram-se a este combate, ignorando os próprios direitos para trazer segurança às ruas.
Digo à borla porque continuam à espera que o Governo, em particular o seu ministro, atenda às suas reivindicações para que lhes sejam pagas as horas extraordinárias e o trabalho nocturno. Responderam com
brio profissional e honradez ao silêncio dos cínicos que têm medo de aplaudir para não ter de reconhecer que devem pagar a quem trabalha e arriscar a vida para defender a vida de muitos.
Fez bem Rui Pereira em elogiar a PJ.
Salvou a honra do Governo. Agora, é preciso que o Governo perceba que
as centenas de investigadores que garantem que o País pode dormir mais tranquilo são gente e também têm familias.
Não são escravos.
Francisco Moita Flores, Professor universitário